“Rever as convicções é ter a coragem de analisar os fatos sob outra perspectiva.” Eurípedes Barsanulfo

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Sobre o atentado em Paris

Enviado em 20 de janeiro de 2015 | | Publicado por funiespirito


Em seu programa de rádio, Conexão Pineal, do dia 13 de janeiro de 2015, Dr. Sérgio Felipe faz uma reflexão a respeito do atentado terrorista ocorrido recentemente em Paris. Pela relevância do assunto, segue abaixo transcrição do trecho em que Dr. Sérgio comenta a respeito do assunto.  Para ouvir o programa na íntegra, clique em: 

“…Para iniciar a nossa conversa de hoje, eu não poderia deixar de mencionar o momento muito especial pelo qual a humanidade vem passando, mormente, o ato terrorista que ocorreu na França, onde os cartunistas do personagem Charlie foram cruelmente assassinados por terroristas do Grupo Al-Qaeda e do Estado Islâmico, grupos terroristas vigentes na atualidade. Isso provocou uma reação muito forte que tornou a França o centro capital do mundo. Chefes de estado do mundo inteiro, inclusive do Brasil, representado pelo seu embaixador, reuniram-se em uma passeata, um manifesto, o maior da Europa, em todos os tempos, com quase 4 milhões de pessoas, sendo só em Paris, 1.5 milhão de pessoas, levantando o lema da revolução Francesa: Fraternidade, Solidariedade, Igualdade, sobretudo a Liberdade. E a liberdade de expressão é que está em pauta. Ou seja, charges alusivas a Maomé, foram consideradas ofensivas por grupos radicais que promoveram o ataque terrorista. Nada justifica a violência. A simples charge, ou uma simples piada matou 12 pessoas, e depois mais 4, e feriu milhões e milhões de franceses, e tantos quantos que são contra o terrorismo no mundo. Eu também não poderia deixar de manifestar minha indignação em relação ao ato de violência, que não tem justificativa. Uma das assertivas mais fundamentais de Jesus é o perdão, o amor e a solidariedade. E Jesus também faz parte dos alicerces do Islamismo. Jesus, bem como Maria, mãe de Jesus, constam do Corão como personagens da mais elevada hierarquia espiritual. E o islamismo, como doutrina religiosa, valoriza Jesus, Maomé e também Maria, mãe de Jesus. E tudo que Jesus disse e praticou também faz parte dos alicerces do pensamento Islâmico. Então, podemos dizer que as manifestações terroristas que levam o nome de um Islamismo radical não representam de fato o que seja o Islamismo. Como também não podemos deixar de lembrar que o Catolicismo que provocou a Inquisição ou as Cruzadas, não representa de fato o Catolicismo. Foram equívocos humanos que transitaram com o nome da religião Cristã. Nós brasileiros, somos um povo que vivemos a violência urbana de uma sociedade injusta. Mas, o brasileiro é acolhedor para com as diversas culturas, em geral. E nós brasileiros, devemos estar também coesos com esse movimento que a França está representando, como o centro capital contra o terrorismo.

E qual a sua participação nisso tudo? A sua participação deve ser levar pela palavra, pela escrita, pela atitude, a mensagem da não violência, a mensagem da paz, começando dentro de casa, estendendo para o trabalho, para a sociedade, e fazer uma reflexão sobre comportamentos que estão no mesmo balaio do terrorismo: o racismo, o nacionalismo intransigente, o preconceito de todos os níveis, humanos e culturais.

Então, muitas vezes nos pegamos distraídos com heranças de um passado em que transitam, em um linguajar do dia a dia, frases, palavras, piadas preconceituosas e racistas. E nós devemos estar atentos a isso. Uma chargista brasileira muito conhecida, Laerte, que faz a charge do Piratas do Tietê, deu uma entrevista interessante, demonstrando sua sabedoria. Ela disse que a cultura na França é diferente da brasileira e de outras culturas. Eles têm o hábito de trabalhar uma linguagem humorística um tanto quanto agressiva. Faz parte da cultura deles. As charges que foram veiculadas no Charlie, não seriam veiculadas no Brasil.  O brasileiro não tem o hábito de fazer humor agressivo. Embora Laerte comente sobre alguns humoristas brasileiros, sobretudo de standups, e de programas de televisão, que fazem um humor que humilha o próximo. Laerte expõe de forma interessante que o humor não deve ser proibido, mas o humor que humilha o próximo, e que não seja politicamente correto por não corresponder às expectativas de construção humana, deve sim ser combatido.  Sim, que haja a liberdade de expressão, mas também a liberdade de se combater pacificamente, combater na força da palavra, da atitude. Muito interessante e lúcida a reportagem da Laerte nos convidando a ter crítica. O humor é humilhante, é degradante? todos têm o direito de expressão, e esse humor deve ser combatido pela sociedade, porém, pacificamente.

Não quer dizer necessariamente que devamos concordar com a charge francesa agressiva com relação à cultura Islâmica. E se não concordamos, devemos combater pacificamente, argumentar, e estruturar nosso rejeição a respeito do que foi falado. É nesse sentido que quero dar meu depoimento e reforçar a questão de que devemos, definitivamente, estar antenados no movimento mundial pela paz contra o terrorismo.

E, voltando a atenção para o nosso país, concomitantemente está havendo uma indignação contra a corrupção, contra a violência. Que possamos dar o nosso exemplo de honestidade, de palavra pacífica e, sobretudo de perdão. Não há convivência sem perdão”.

Sérgio Felipe de Oliveira

Programa Conexão Pineal – 13/01/2015

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